O Escritor e sua Missão
Saudações,
Tenho visto em sites e blogs que muitos escritores chegam a um momento que formam uma opinião sobre sua missão, a ideologia por trás de seu trabalho. Bem, achei que seria uma boa idéia expressar minha opinião a respeito do assunto.
Existem autores que procuram a “mina de ouro” encontrada por J.K.Rowling (Harry Potter) e tantos outros autores de sucesso. Em sua maioria são autores iniciantes, bem otimistas, cheios de esperança e que ainda não fizeram um bom estudo sobre venda de livros e lucros de autores (Uma nota importante: Estou restringindo os comentários ao cenário nacional e expresso somente meu ponto de vista). Existe sim, esta possibilidade, mas é para pouquíssimos.
Temos também aqueles que sonham em ter sua história publicada, exposta em uma bela prateleira na Siciliano, na Saraiva, FNAC e nos maiores sites de venda do país.
Bem, devo dizer que os dois itens acima são desejados por qualquer escritor. Dinheiro e reconhecimento são expectativas básicas em qualquer profissão existente.
Mas também acredito que a nossa escolha de sermos escritores, traz algo mais. Um amigo meu não cansa de repetir a frase de um livro infantil: “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” (retirada do livro O Pequeno Príncipe, de Exupéry). E acredito piamente que isto se aplique a qualquer forma de criação que leve formas de pensamentos, fantasiosas ou não, a um público. Os melhores exemplos disto são a música e a literatura. Porém, vamos nos ater somente à escrita.
Nesta forma de comunicação, levamos ao leitor uma mensagem, um sentimento. O leitor é então modelado em sua alma durante a leitura e “sintonizado” exatamente na emoção que o autor deseja reproduzir. Temos a capacidade de fazer o leitor sofrer, temer, amar ou sorrir, levando a ele as emoções que escolhermos. E permito-me ir além e dizer que este sentimento perdura por um tempo após o livro ser fechado. O leitor estará então com o humor renovado, ou adiará ao máximo antes de apagar a luz, ou ainda, se sentirá mais incomodado ao ver uma cena cruel na TV.
Parece um poder e tanto não é? Talvez, para dar emoção a este texto, eu esteja exagerando. Talvez, se você é um leitor, já tenha identificado nestas linhas o que nós, escritores, podemos fazer.
Neste momento, volto ao tema. Providos de tal poder, qual seria a nossa missão? Eu gosto de acreditar que nosso dom em transmitir emoções por meras folhas de papel ou monitores de computador serve para ensinar lições e auxiliar no desenvolvimento do próximo. Isto é possível. Através de nossas mãos é possível alegrar uma pessoa deprimida, ou levar esperança a alguém desanimado, conscientizar o indiferente.
Se o escritor tem uma missão, ela é essa, senhores. Seja no estilo que for. Melhorar o mundo de alguma forma, leitor por leitor, palavra por palavra. Pensem nisso ao escreverem, cumpram suas missões e façam por merecer seus dons. Pois vocês são responsáveis pelos que cativam…
Grande Abraço.
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4 respostas para “ O Escritor e sua Missão ”
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18 de Maio de 2008 @ 22:45
Leandro,
Realmente muito bacana a idéia de seu texto de expressar os sentimentos de uma boa parcela dos autores. Acho que é sim a missão do autor de passar alguma mensagem através de sua obra e de estimular seus leitores a imaginar.
Posso lhe dizer que existem poucas coisas tão recompensadoras do que você saber que a sua história, de alguma forma, mexeu com a imaginação de alguém.
Continue em sua viagem e quem sabe não nos trombamos em algum porto por ai
abraços
19 de Maio de 2008 @ 21:28
Sim, sim, eu concordo com tudo isso que vc disse. E acrescento um pouco mais: Não só, a missão do escritor é levar um pouco de contentamento ao leitor, como também, dever do mesmo. Abrir-lhe outros caminhos, novas perspectivas, conduzir-lhe por sonhos ainda não imaginados. Ou seja, refratar-lhes tabús que até então, eles mesmos não tinham coragem de assumir.
Bom… eu digo isso por mim mesmo, já que aconteceu comigo, quando ainda adolescente.
Fiquei tão envolvido com o livro que estava lendo, tão interado no negócio que, a minha mãe teve que me levar para o hospital, na emergência. O médico disse que o meu batimento cardíaco aumentou muito rapidamente.
Mais tarde, quando já casado, aconteceu a mesma coisa, tudo por causa de um livro. E dessa vez foi a minha mulher a me levar para o hospital.
Agora… quer saber o motivo? Porque os tais dos escritores me induziram, lentamente, a entrar dentro das suas historias. Será que isso foi ruim? Não! Pelo contrário, eu amei aquele jeito deles se comunicarem comigo.
E foi assim que eu comecei a escrever.
Resumindo: O que vc falou está certíssimo!
Parabéns!
8 de Junho de 2008 @ 11:15
Essa é a alma das verdadeiras histórias. A partir do momento em que o escritor toma esta compreensão, acaba fazendo muito mais para os outros do que para você mesmo. E toma a responsabilidade de que você, agora, tem alguma importancia na vida do leitor - ” ahhhhh…aquela história, como este lugar me lembra aquilo…..” - é apenas uma pequena coisa do que acontece.
Força Leandro…sempre!!!
Fofudo
13 de Junho de 2008 @ 15:54
Veja o caso do André Vianco… Hoje é um autor de sucesso… Mas quando comprei seu primeiro livro, uma primeira edição “xexelenta” escondida numa Saraiva da vida, já sabia que pela contra-capa que valeria a pena… Ao terminar de ler o livro vi que seria um autor de sucesso.
Agora, se você quiser ver mais sobre a batalha de autores brasileiros, eu conheci pessoalmente o Evandro Daolio e posso dizer que este autor sim suou muito para conseguir publicar seus livros.