Grinmelken

Anno Domini, Algo inesquecível

Dia 19 de Julho do Ano de Nosso Senhor de 2008,

O local: uma bela mansão no início da Avenida Paulista, tombada em 1985 para ser reformada e tornar-se a Casa das Rosas. Nesta época, servindo como uma galeria de exposições de acervo artístico do estado. Anos se passaram e muito aconteceu, mas foi em 2004 que ela abriu suas portas para transformar-se no que é hoje: Um espaço público destinado à literatura. (Apesar da idéia inicial ser mais voltada à poesia). E foi nesta transformação que o então renomeado “Espaço Haroldo de Campos de Poesia e literatura” (Pois é, ficou Casa das Rosas mesmo. rsrsrs) estava destinado a ser o local de abertura de um portal que levará centenas de pessoas ao nosso passado e a mundos ainda desconhecidos. O portal no formato de um livro. Ao qual chamamos de Anno Domini.

Os organizadores: pessoas sorridentes, de bom humor e esperança incrustada na alma. Guias de guardiões que aguardavam ansiosos por abrir cada um dos portais. O primeiro, de nome Cláudio Brites, cujo primeiro nome provém de Cláudius, um imperador, um líder, e o segundo significa forte, resistente. Somente um líder forte e de resistência poderia organizar algo heróico enquanto sua vida muda com o nascimento de uma criança sua. A segunda, Helena Gomes, cujo primeiro nome significa Luz ou tocha. A luz necessária para nos ajudar a enxergar as linhas imperfeitas em nossas escrituras, durante as noites de escrita, pouco antes de as darmos como finalizadas.

O editor: que nos bastidores chicoteou e passou noites em claro, nos empurrando para lapidar cada vez mais nossa obra. Tornando uma pedra já bela, em algo ainda melhor. Puxando-nos rumo a um resultado fantástico, de arrancar suspiros dos guardiões que tinham algo a contar.

A obra: um trabalho que me trazia desconfianças pela capa, mostrou-se real e a pintura, O triunfo da morte, pareceu transformar-se diante de meus olhos e tudo se encaixou perfeitamente. Aquele livro, que tinha diversos contos maravilhosos, era belo em capa, contra-capa, tamanho e conteúdo. Tudo havia ficado para trás e restara somente ele. O final de um esforço coletivo. O causador de sorrisos e suspiros.

Estes quatro elementos, juntos, me transportaram ao evento que me apresentou um novo mundo.
Imaginei que ficaria acanhado, isolado em um canto, sem saber como agir. Mas logo que cheguei encontrei uma das primeiras pessoas com quem conversei sobre o Domini: A donzela vampira Monica Sicuro. Em poucas palavras, por já termos trocado letras em noites passadas, o local começou a se tornar familiar. Nos conhecemos, ou melhor, reconhecemos, e trocamos nossos primeiros autógrafos. Eu, preocupado no que dizer, escrevi o que não planejei. Mas surgiu ali, a primeira dedicatória de um livro oficial. Então, juntos, adentramos a Casa das Rosas e nos separamos, para encontrarmos com outros companheiros. Companheiros que eu também já havia conversado em poucas ocasiões.
E aos poucos, aquele medo de ser uma figura em preto e branco passou, e percebi que estava no meio de amigos conhecidos. Guardiões de outros mundos. Escritores iniciantes e experientes, juntos em uma só idéia. Harmoniosos. Estávamos à vontade, os portais estavam abertos e os outros mundos, dentre eles o nosso em sua era mais sombria, vinham à tona cada vez que o livro era aberto. Era nossa noite e nos divertimos.

Das 17h30 às 21h00, o tempo passou como um raio, cortando-nos com euforia e satisfação. Pouco foi dito uns aos outros, mas sabíamos que era apenas um início. Pois estava feito. Cada um levara um pedacinho do outro para casa. Cada um tinha uma chave para cada portal. Guardiões de um só mundo tornaram-se os detentores do conhecimento de vários.
Nos despedimos saudosos, ansiosos por experimentarmos mais um pouco daquela euforia que se esvaíra tão rapidamente. Mas levamos para casa nossa nova missão: Mostrar aos outros, cada um dos novos mundos e suas histórias.
Abrir os portais e revelar nossas mentes. Foi uma experiência inesquecível. Obrigado a todos os participantes e apoiadores por se tornarem parte de minha história e permitir que eu me tornasse parte das suas.


 

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5 respostas para “ Anno Domini, Algo inesquecível ”

  1. Rafa disse:

    Grande Leandro! Prazer em conhecê-lo! Muito sucesso, grande abraço,

    - Rafa

  2. Helena Gomes disse:

    Sim, Leandro, inesquecível mesmo… Um sonho realizado, um desafio vencido, mas também um degrau para o início de uma longa e desafiante jornada, caro paladino!
    Grande beijo

  3. Chico Mota disse:

    Acho impressionante com as coisas acontecem, meu amigo.

    Um dia, você teve um sonho, e começou a trilhar um caminho para alcançá-lo. Muitas vezes compartilho desse sonho, mas vê-lo alcançar, pedaço a pedaço, a cada passo dado, é muito inspirador.

    Parabéns por mais esse passo cara! Com certeza, terei um exemplar para mim, com muito orgulho.

    Esse é o nosso mestre, que por tantos dias a noites nos transportou para os confins de Grinmelken, e que agora apresenta esse mundo a outros, que assim como nós, também vão se apaixonar por ele!

    Parabéns!

  4. dalencarribeiro disse:

    Leandro,

    Nestes anos em que tive a oportunidade de acompanhar de perto seu sonho de se tornar um grande escritor eu tive a oportunidade única de ler cada um de seus contos, dentre eles alguns muito bons. E o conto sobre o Meros talvez seja o que mais mexeu com minha imaginação, talvez pela brutalidade poética do salto no vulcão ou pelo espiritualismo do renascimento com os olhos de fogo. E, a escolha desse conto para o livro A.D. para mim é a coroação de sua imaginação e originalidade, fato que espero rever no lançamento de seu próprio livro em breve.
    Infelizmente não pude comparecer ao evento, mas saiba que fiquei muito feliz por tudo ter dado tão certo.

    Parabéns por mais essa conquista

    Daniel (Pseudo-Editor, Argumentarista e Crítico de Plantão)

  5. Thaís Helena disse:

    Leandro,

    Gostei muito de ter podido ir com vocês ao lançamento do Anno Domini! Fiquei feliz em ver e participar da felicidade de vocês! E me diverti! (Aquela foto ainda vai valer um bocado!)
    Não me importa se o livro não é todo seu, não me importa se foi apenas um conto. É a primeira obra. E eu não poderia perder! Um orgulho para Piranguinho toda!
    Agradeço a opotunidade de participar, mesmo que pouco, dos ‘detalhes’ deste seu sonho, do qual, de certa forma, partilho. (Não vejo a hora de ter o SEU LIVRO nas minhas mãos!)
    Também me emocionei de ver a sua animação!
    Você merece! Parabéns!

    Muito sucesso nesta e nas obras futuras!

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